Crônica Custom Mundial #5: Las Vegas abre um piso para as duas rodas — a SEMA coloca os builders para competir
A SEMA criou a primeira categoria de motos no Battle of the Builders, que já tem 13 anos, e são os dez finalistas que escolhem os vencedores. Depois de uma coluna sobre a entrada, esta é sobre a saída: da oficina para o negócio.
KEY TAKEAWAYS
- SEMA has created the Bike Builder Shootout, the first motorcycle category in the 13-year history of Battle of the Builders. Bikes are judged on craftsmanship, design innovation and overall execution, and the top 10 builders themselves decide the top three and the overall champion.
- The inaugural judges are Zach Ness of Arlen Ness Motorcycles, Jeff Holt of V-Twin Visionary and Pat Patterson of Led Sled Customs, with Bob Kay as judge chairman. To enter, a builder must have the bike on display at the 2026 SEMA Show, November 3-6 in Las Vegas.
- The backdrop is a new West Hall section announced in March 2026. Branded Powersports/Side-by-Side/Lifestyle, it gathers motorcycles, dirt bikes, trailers and adventure gear, giving two wheels a floor of their own rather than a corner of the car show.
Da última vez eu escrevi sobre a entrada: o Glemseck 101 distribuindo um manual para os novatos. Desta vez quero escrever sobre a saída. De 3 a 6 de novembro, Las Vegas. O SEMA Show: aquela enorme mesa de negócios onde o mercado de acessórios automotivos se reúne uma vez por ano. Foi ali que a SEMA anunciou que o seu Battle of the Builders, com treze anos de história, terá pela primeira vez uma categoria de motos. O nome é Bike Builder Shootout. Três critérios de avaliação: a qualidade da construção, a inovação no projeto e a capacidade de terminar bem o trabalho. Jurados da indústria de duas rodas avaliam as motos separadamente dos carros e escolhem um top 10. E o interessante vem depois: os próprios builders que ficam nesse top 10 viram jurados e definem os três primeiros e o campeão geral. As motos ficam expostas no Center Hall. RJ de Vera, vice-presidente de marketing da SEMA, disse no anúncio que "as motocicletas sempre foram fundamentais para a customização, e estamos animados em trazer oficialmente esses builders para os holofotes". Sempre fundamentais — e levaram treze anos para dizer isso em voz alta.
Esse anúncio não caiu do céu sozinho. Em março deste ano a SEMA já havia anunciado uma nova seção Powersports/Side-by-Side/Lifestyle no West Hall. Motos, motos de trilha, reboques e veículos de tração, equipamentos de aventura: tudo reunido no mesmo lugar. Não um canto emprestado do mundo dos carros, mas um piso próprio. Tom Gattuso, vice-presidente de eventos da SEMA, descreveu a expansão como "um passo ousado na missão da SEMA de servir todo o ecossistema entusiasta". A partir daqui vai a minha leitura. O que acontece ali não é exposição, é comércio. A SEMA não é uma festa para o público geral: é onde fabricantes, distribuidores e lojistas decidem o que vão estocar no ano seguinte. Abriu-se um piso para as duas rodas e no meio dele foi colocado um pódio de builders. A customização deu um passo do território do hobby para o lado do negócio em que as peças de fato se movem.
A composição do júri também merece atenção. Zach Ness, da Arlen Ness Motorcycles, Jeff Holt, da V-Twin Visionary, Pat Patterson, da Led Sled Customs, com Bob Kay na presidência do júri. Kay colocou assim: o Shootout "dá aos builders uma plataforma para mostrar habilidade e inovação sendo reconhecidos ao lado de builders talentosos". Foi a expressão "ao lado" que me fez reagir. Até agora, os builders de motos podiam ser estacionados ao lado dos carros sem nunca serem comparados com eles. Como o sobrenome indica, Zach vem da linhagem de Arlen Ness, e aquela família é, por si só, um pedaço da história custom da Costa Oeste. Ainda assim, no que eu mais confio é — de novo — no fato de o top 10 julgar a si mesmo. Olhar o avesso de um cordão de solda, o traçado da fiação, onde alguém economizou esforço: só enxerga isso quem já fez esse trabalho com as próprias mãos. Dito isso, não aplaudo sem ressalvas. Para inscrever, é preciso ter a moto exposta no SEMA Show 2026. Ou seja, é preciso um estande. É preciso dinheiro. Da última vez eu escrevi que era boa notícia acabar com o estado de "só quem tem amigos conhece o procedimento". Agora o porteiro pode deixar de ser o amigo e passar a ser a taxa de exposição. Para julgar isso eu quero ver três anos.
Mesmo assim, fico do lado de quem comemora este anúncio. O campeão geral do último Battle of the Builders foi Troy Trepanier, da Rad Rides by Troy, um homem de quatro rodas. A partir deste ano, no mesmo salão, os nomes dos builders de motos serão chamados no mesmo volume. Moto não é um veículo, é uma cultura — trabalho há vinte anos a partir dessa convicção, mas é igualmente verdade que uma cultura não continua se ninguém consegue comer dela. A capacidade de terminar uma moto na oficina e o circuito pelo qual um distribuidor que vê essa moto encomenda peças estiveram até agora em lugares separados. O pódio da SEMA pode ser o encanamento que liga os dois. Claro que vão surgir builders que aparam as arestas do próprio estilo assim que houver um prêmio em jogo. Quando uma forma começa a vencer, sempre aparece alguém para copiá-la. Por isso o que se deve observar daqui para frente não é o quanto a moto vencedora é bonita, e sim o que acontece com as nove que não venceram. Em novembro pretendo ir a Las Vegas. No local a gente entende.
Sources and references
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